"O MAIOR INIMIGO DA CRIATIVIDADE É O BOM-SENSO" Picasso. Sem pretensões, que não sejam as de mostrar;

Peças originais, Fotógrafos geniais, Artes antigas e actuais. Também fico esperando a sua visita nos novos Blogs http://comoze2.blogspot.com/.......http://comoze3.blogspot.com/

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Arte Digital




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sábado, 12 de setembro de 2009


...que belos instântaneos nos proporcionam os animais...






Gentileza de um amigo
JJ edição fotos

sexta-feira, 11 de setembro de 2009


Eu e a Cidade do Porto

Custa-me sempre de cada vez que faço esta afirmação, mas sendo nado e criado em Lisboa filho de pais Lisboetas, tenho ao longo dos anos observado com imensa pena uma arcaica e persistente rivalidade Lisboa/Porto, há tantos anos, como aqueles em que me conheço.

Comecei a aperceber-me e a observar este triste fenómeno, mais concretamente no serviço militar.
Todos os meus amigos e conhecidos Lisboetas, de uma forma geral alimentam essas torpes rivalidades, refinadas com as tristes cenas habituais nos futebois cá do Burgo.

São sentimentos e atitudes de baixo nível, que reflectem muita pobreza de espírito, tacanhez mental, e que foge ao meu entendimento.

Vou narrar duas pequenas histórias bem significativas, sendo protagonistas gentios da Invicta e mui nobre cidade do Porto.

A primeira, passa-se no quartel do, então RAAF - Reg. Art. Antiaérea Fixa, frente ao Palácio de Queluz.

Houve uma proximidade entre eu e um camarada do Porto, indivíduo muito educado, pacato, e que odiava a tropa tanto ou mais que eu.

Como na época, vivendo com meus pais, e na linha de Sintra a quinze minutos de comboio do quartel de Queluz, todos os fim de semana e por vezes com “desenfianços” intercalares durante a semana, ia a casa reabastecer-me de víveres e graveto.

Esse camarada de armas e já amigo, nunca saía à noite nem de fim semana, e comecei a notar alguma dificuldade em alimentar os seus simples víciositos da juventude, como os cigarritos, cervejitas etc.

No entanto nunca lhe ouvi o mais leve desabafo.

A sua vida civil era trabalhar num circo modesto, segundo ele, onde como acontece habitualmente tinha que deitar mão a todo o tipo de lides para sobreviver.

Um dos seus métiers preferidos, era o de fazer truques mágicos e prestidigitação com cartas, e era exímio, na quantidade, variedade e dificuldade dos truques, deixando o pessoal de boca aberta.

Todas as noites lá angariava uns cobres com estes serões mágicos, sempre com uma plateia de mancebos garantida.

Tinha um truque de cartas, que me abismava...ficava simplesmente extasiado, eu e todos, tal a complexidade da coisa.
Era tal o pormenor técnico, que nunca o repetia nessa noite.

Aumentava sempre o número de espectadores para ver o show.

Só o fazia quando muito bem queria. O pessoal que esperasse !!

Cada vez se prestava mais atenção ao desenvolver da mágica, olhos fixos no trabalho de mãos, mas nunca ninguém conseguiu vislumbrar a mínima pista.

Eramos inseparáveis, e com ele repartia os petiscos, principalmente panadinhos e pataniscas feitos por minha mãe, que ambos adorava-mos, merendinhas de carne, peixinhos da horta, etc.

Tanta vez o chatiei para me ensinar aquele fabuloso truque de cartas, mas a resposta dele era sempre a mesma:

- É pá, isto é o meu trabalho, a minha vida, isto não se ensina !!

Andei anos atrás do meu pai com o mesmo pedido que me fazes, mas ele só perto da morte mo ensinou, mas tive que jurar que nunca o revelaria a ninguém, excepto a alguém que merecesse e eu achasse justificar-se, mas sempre exigindo confidencialidade absoluta.

Passados tempos, decifro uma msg anunciando-me a mobilização para a Guiné.
Fiquei destroçado...logo a Guiné, a pior das Colónias em termos de guerra e clima.

O terror de todos os militares espectantes da mobilização para a Guerra de África, e que rezavam a todos os santinhos, para que nunca lhes tocasse a Guiné.

Disse-lho nessa noite, e ele ficou-me a olhar com uma tristeza imensa, levantou-se, deu-me um abraço, e disse que ia-mos beber uma cerveja, convite dele, frisou.

Lá fomos beber a mini, não uma, mas, para a primeira não se sentir só, acompanhamos com mais uma série delas !!

Já perto do recolher, disse-me para o acompanhar à caserna.
Sentamo-nos na cama, tirou o baralho de cartas do bolso, e retorquiu:

- Fiquei muito triste por teres sido mobilizado, e logo para a Guiné...mas vai tudo correr bem.

Agora um pequeno agradecimento, para que, na Guiné, fiques sempre recordando os bons momentos, que mesmo assim, aqui temos passado.
Vou-te ensinar, o truque de que tanto gostas OK, mas vais-me jurar pela tua mãe, que nunca o ensinas a ninguém, excepto a quem vejas que merece, como é o teu caso agora, e só a uma pessoa !!

Nunca fui de juras, mas acedi.

Concordei, aprendi o truque, ensaiei com cuidado e até hoje, só ao fim de alguns anos o ensinei a um cunhado jovem, quando prestes a embarcar para a Guerra de Angola.

Tenho feito inúmeras vezes esta “habilidade” e não há dúvida que o espanto das pessoas é sempre surpreendente.

Este foi o meu primeiro grande amigo do Porto, que ainda hoje recordo com aquele forte sotaque do Bolhão.

Fiz já em Tite-Guiné Bissau, mais dois grandes amigos do Porto; Um Rádio Telegrafista, do melhor que havia (o da cena do tiro dentro do posto de rádio, história narrada no Blog de memórias da Guerra Colonial "http://bart1914.blogspot.com/) e um outro, que com pena, já não recordo pormenores.

Segunda história
A firma onde trabalhava, tinha filial no Porto, praticamente em frente à Esquadra do Paraíso.

Sempre que se fazia uma Feira ou Exposição no Porto, a filial ficava virada do avesso, com as mudanças de expositores, maquinaria, ferramentas etc, etc.

Reposto de volta todo o arsenal, e regressando o resto da equipa a Lisboa, teria que pós feira reexpor tudo, o que me permitia estadas de dias e semanas na Invicta.

Adorava este trabalho.

Optava ir almoçar por volta das duas horas, com os restaurantes já praticamente vazios, e então era o repasto dos príncipes.

Todos os dias escolhia um novo poiso, e todos os dias me regalava com a excelente comida, que regra geral, à época o Porto servia.

Apercebiam-se pelo sotaque que não era daquelas bandas, não só pelas perguntas, como pelos termos (lá me fugia a bica e o garoto) e estranhava a curiosidade das pessoas sobre o porquê da minha estada na cidade, o que eu, com agrado, satisfazia a curiosidade, e nalguns casos, ficava convidado para o jantar, com uma ementa a pedido.

Sentia neles, o prazer e orgulho de satisfazerem sempre com o melhor.

Aquele arroz de feijão, aquelas pataniscas, o cozido com carnes fumadas e couves divinas, sempre arroz branco com todos os pratos, as tripas com sabor a ervas, aquelas rabanadas com vinho do Porto....hummmmm !!

Lisboa, nesse aspecto é uma catástrofe, com excepção de alguns restaurantes “estrelados”, embora a escolha hoje em dia já seja muito melhor e variada, não tendo já nada a ver com aquela época.

O Palácio de Cristal, durante anos foi o único local onde se realizavam Feiras e Exposições na cidade do Porto.

Embora o local seja bonito, donde, bem perto, se desfruta uma vista excelente sobre o rio Douro e a cidade, era tremendo trabalhar naquele reduzido espaço exterior com viaturas pesadas carregadas de máquinas volumosas e pesando toneladas.

Demoravam mais as cargas e descargas que montar os Stands, e então de Inverno, era o fim do mundo.

Certa vez um expositor transtornado por tanto obstáculo e burocracia para a entrada de uma máquina enorme para o seu Stand, vai à cabine do camião, saca de uma pistola e desata aos tiros para o ar !!...lá conseguiram acalmar o homem que estava possesso.

Acreditam que passada uma hora tinha o enorme Centro de Maquinagem dentro do Stand ?

Estes certames realizavam-se sempre em final Outubro princípio Novembro, e o Inverno no Porto não é brinquedo.

No fim de um dia de montagem, já noite cerrada, cerca das 20 horas, tinha combinado com o colega que tinha ido à filial com a viatura, que já não voltasse devido ao trânsito, pois apanharia um taxi e logo via-mos onde jantar.

Se o tráfego hoje no Porto e em qualquer lado é um stress, naquele tempo a zona do Palácio em época de exposições era uma calamidade.

Chovia, aquela chuva miudinha molha tolos e eu sem chapéu de chuva, ali plantado à porta do Palácio, esperando um taxi, mas qual quê...

Era muito diferente o serviço de taxis no Porto.

Muitas viaturas não tinham identificação como em Lisboa, e normalmente quem queria taxi telefonava para as centrais.

Cada vez mais molhado, sem hipótese de me abrigar, enregelado, mal dizia a minha vida !!

De repente ouço chamar:

- Ó sê J...sê J...é homem, venha cá.
Era um dos pintores contratados que estava a trabalhar no nosso Stand, que me reconheceu.
Estava à porta dum tasco pequenino mesmo em frente do outro lado da rua D. Manuel II.

Estranhou aquela minha figura ensopada, atravessou a rua, e levou-me para dentro da “capela”.

Expliquei o porquê de ali estar, e o jovem desata a rir...aqui não é Lisboa, os táxis chamam-se por telefone, não se espera por eles na rua !!??

Logo com ar desenvolto, vira-se para o anafado dono da tasca, e disse: - Ó Fulano... chama aqui um táxi para o nosso amigo, mas diz para daqui a meia-hora.
-...meia hora !!...porquê meia hora, perguntei:

- Então sê J... ia-se embora sem provar aqui estes petiscos e beber uma malga de verde tinto !!

Excelentes petiscos, e uns “peixinhos da horta” de morrer.
Gírissimo as malgas brancas com que serviam o vinho verde tinto, e de eleição este gesto de um desconhecido.

Também colegas do Porto eram inexcedíveis a receber.
Recomendavam locais, serviam de cicerones...enfim conheci um bom bocado do Porto e arredores guiado por esses grandes amigos Portuenses.

Adorava o restaurante Marina na Ribeira, e escolhia-mos sempre uma mesa do primeiro andar, com teto baixo abobadado e uma vista linda para o Douro e Gaia iluminados.

Num desses jantares, e com toda a noite por nossa conta, prolongamos o excelente jantar numa animada conversa, exactamente sobre a comida do Porto.

O nosso colega de Porto, saiu-se com um grande elogio às ”moletes com presunto”. Ficamos os três Lisboetas a olhar para ele !!
Molete...mas o que é que tem de especial uma OMOLETE ? – Não é omolete é molete !!
- Mas que raio é isso !!?.

Resumindo;

Molete é a nossa carcaça, e acreditem que quando ele explicou a coisa, muito admirado pela nossa ignorância, a galhofa durou toda a noite, e no dia seguinte seringámos o nosso amigo com molete p’rá qui...molete prá li...
Na foto é o colega da esquerda.

Claro que no reverso, quando vinham a Lisboa, chamava a mim o papel de anfitrião, e retríbuia as atenções recebidas de igual modo.

Era praxis a visita ao Bairro Alto, onde há muito também se come bem, variado e muitas vezes caro sem retributo na qualidade e serviço.

Passei grandes momentos de trabalho, de turismo e muito da vida nocturna da cidade do Porto, que tantas vezes me levavam a directas sem ver cama, o que quase me obrigava a por palitos nos olhos para os conseguir manter abertos !!.

Com orgulho digo que tirando Lisboa, o Porto e Braga, onde também exponhamos, são as duas cidades de minha eleição.

Duas cidades, que nas zonas históricas, são totalmente diferentes da capital, dai a minha admiração pelo diferente.

Não há bela sem senão e as tristes figuras e comentários torpes e despropositados, de gentinha básica e reles, mexem comigo.

Não tenho genes para assimilar os meandros do futebol e tudo o que gravita em seu redor.

Não quero, não devo, nem posso, generalizar, mas na realidade, alguns, são uns tristes...mas que chateiam...chateiam !!

Aqui fica esta minha singela homenagem à Cidade do Porto e suas gentes, incluso os adeptos do FCP que não sofram de “cefaleia antimoura aguda”.

ZJ

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sábado, 5 de setembro de 2009




Ryszard Horowitz
Subtileza da beleza feminina captada por este excelente fotógrafo e pintor Polaco, radicado nos EEUU.

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sexta-feira, 4 de setembro de 2009



Lisbon Electric Power




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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Réplicas dos Bonecos Articulados muito em voga nos anos 60.
Pressionava-se na base, os elásticos folgavam e o boneco desconjuntava-se todo.
Deixando de pressionar, voltava à posição vertical.

Estes não tinham espaço para Chips, não viciavam, não continham perigos escondidos, não davam cabo dos olhos e coluna, nem crachavam.
Que vontade de ser miúdo outra vez !!

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Saleen S7R
24 horas Le Mans 2007
pilotos: Laurent Groppi (F)
Nicolas Prost (F)
Jean-Philippe Belloc (F)
V8 - 6998 cc
600 cv
v.máx. 330 Kmh
0-100: n/a
peso 1151 kg
escala 1:43 - 11,5 cm
extras: Base técnica

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Renault-Mirage GR8
24 horas Le Mans 1977
pilotos: Vern Schuppan (AUS)
Jean-Pierre Jarier (F)
6 cil.- 1997cc
500 cv
v.máx. n/a
0-100 n/a
peso750 kg
escala 1:43 - 10,5 cm
extras: Base técnica


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domingo, 9 de agosto de 2009

Raul Solnado



Raul Solnado, desde hoje, ficou um pouco mais longe de nós, mas não muito, pois permanecerá gerações na memória de muitos.

Trabalhei e circulei pelos cafés pertíssimo do Teatro Vilaret por ele construído e de quando em vez lá o via pelo café Monumental ou no Monte Carlo.

Quando assistia aos espectáculos, no seu aconchegável Teatro da Fontes Pereira de Melo, sentia sempre uma admiração enorme do seu estilo muito próprio de "estou, mas devagarinho e sem muitas ondas".

Deixa-me muitas saudades, pelo que foi e pelo que me proporcionou a mim e mulher com os seus espectáculos.


Na sua Biografia, há um trecho de eleição que só poderia ser "disparado" pelo Raul.

Numa das suas vária digressões ao Brasil, foi convidado para dar uma entrevista, e a certo ponto o entrevistador brasileiro perguntou-lhe se em Portugal, também se contavam anedotas sobre Brasileiros.

Raul Solnado, fez uma pausa e respondeu: - Acha que era preciso !! *****

Era um grande e sóbrio artista, um bon vivant que adorava a noite de Lisboa e muito aproveitou da vida, ele e os seus inseparáveis pares.
Viveu a sua ainda longa vida, bem vivida...

Uma derradeira homenagem ao Raul Solnado de todos nós, com uma máxima de Confúcio que me tem servido de lema pela vida fora, e que se encaixa perfeitamente ao homem que ele sempre foi.

"Quando eu nasci, todos riam só eu chorava.
Fiz por viver de tal modo, que quando eu morrer, todos chorarão, só eu rirei".


O seu epitáfio deveria ser a frase que celebrisou:
"Façam favor de ser felizes"

JJ ............................................................................
Um dos mais célebres representantes da velha geração de hu
moristas portugueses

Raul Solnado, a vida não se perdeu*

08.08.2009 - 17h54 Alexandra Prado Coelho

Raul Solnado (1929-2009), que morreu esta manhã, deixou gravado um último trabalho para a televisão: "As Divinas Comédias", uma série de quatro programas produzida pelas Produções Fictícias e pela Até ao Fim do Mu
ndo, para a RTP 1, apresentada por Bruno Nogueira e Raul Solnado - a mais jovem e a mais antiga gerações do humor em Portugal.

O primeiro irá já hoje para o ar, logo a seguir ao Telejornal.Seria uma história do humor em Portugal contada por um dos seus principais protagonistas.

Nascido em Lisboa, no Bairro da Madragoa, em 1929, Solnado começou a carreira como actor no teatro amador, na Sociedade Guilherme Cossul, em 1947.


Numa entrevista a Duarte Mexia, na "Pública", em 2002, conta como tentou ainda trabalhar na loja de móveis do pai, em frente à penitenciária – "não sabia o que queria ser na vida, sabia que queria ser actor, mas era uma coisa muito vaga".

Mas já nessa altura aproveitava todas as oportunidades para ir ver os espectáculos dos seus ídolos, Vasco Santana, João Villaret, António Silva, Laura Alves.

Quando começou a fazer teatro amador todas as dúvidas desapareceram, e acabou por comunicar ao pai: "olhe pai, vou para o teatro".
Foi. Em 53 estreou-se na revista com "Viva o Luxo", no Monumental.

E no final da década no cinema com os filmes "Sangue Toureiro" e "O Tarzan do Quinto Esquerdo".

Conta, na mesma entrevista, que no princípio do seu trabalho na revista dizia "pouco mais do que meia
dúzia de frases", e que foi o actor António Silva, que "era muitíssimo tímido", que lhe começou a achar piada e a puxar por ele.

Mas o grande sucesso surgiu em 1961, com as rábulas e, sobretudo, com "A Guerra de 1908", um texto espanhol adaptado para português por Solnado.

A história de um soldado que vai "bater à porta da guerra", editado em disco em 1962, torna-se um "best-seller".

Foi, recordava Solnado, "um grande salto, ‘o pulo do gato’", e, subitamente, uma popularidade "asfixiante" – tão asfixiante que o humorista teve que ir para o Brasil para poder respirar.
"Eu ligava o rádio e lá estava eu a contar histórias.
As pessoas convidavam-me para jantar e lá estava o disco, para eu ouvir. Sentia-me perseguido por mim mesmo".

O sucesso não se devia apenas ao facto de ser um texto “fabuloso”.

Portugal estava em plena guerra colonial e, mesmo falando sobre outra guerra, "o texto foi como um grito", e Solnado achava estranho que a censura na época o tivesse deixado passar.

"Os milita
res nos combates que tinham diziam as minhas frases, era como uma libertação".

Havia nesta história de uma guerra que fechava à hora marcada um lado de "nonsense" "que em Portugal nunca se tinha ouvido".

A popularidade foi tal que Solnado brincava dizendo que era “uma vítima da guerra".

O ano de 62 continuou a correr bem.

Venceu o Prémio de Imprensa para melhor actor de cinema.

Em 63 o sucesso continuou com o espectáculo Vamos contar Mentiras, com Florbela Queirós e Armando Cortês.

O público era exigente. Mais do que exigente: "Quando a peça acabava exigiam que eu contasse mais histórias. [...] Um dia não contei, estava cansado ou doente, já não sei, e apedrejaram-me a carrinha.

A guerra de 1908 e outros monólogos - Videoshttp://www.youtube.com/watch?v=Php8prfwg7Y

Foi horrível". Na ressaca do sucesso da "guerra", Solnado regressou ao Brasil - onde tinha tido uma experiência falhada em 1958 - e desta vez as coisas correm muito melhor.
"Entrei pela porta grande".

Em 1964 o actor e humorista tornou-se empresário, fundando o Teatro Villaret – na peça de estreia, em 1965, "O Impostor-Geral" foi o protagonista.


Passou a fazer tudo como queria - “escolhia desde o tecido, a cor da tinta para escrever a peça, como se traduz, até à forma como se fazia a publicidade do lançamento” - mas pagou um preço, com os credores a baterem-lhe à porta.
Os textos humorísticos continuavam a ser editados em disco: Chamada para Washigton (em 1966), Cabeleireiro de Senhoras (68), e no início de 69 a compilação O Irresistível Raul Solnado.

É então que surge o segundo momento marcante da carreira: o programa Zip-Zip, gravado no Teatro Villaret, apresentado por Solnado, Fialho Gouveia e Carlos Cruz, muda a televisão em Portugal.


Dura apenas sete meses, mas, em plena primavera marcelista, é uma “pedrada no charco”.
“Pela primeira vez um programa de televisão marcava a agenda das conversas dos portugueses”, recordava Adelino Gomes no Público em 2002.

O primeiro Zip-Zip foi gravado num sábado, 24 de Maio "perante uma plateia de amigos e curiosos que compraram um bilhete de entrada por dez escudos".

A crítica não poupou os elogios, e os autores recebem agradeci
mentos de pessoas na rua.
Intelectuais, escritores, artistas, figuras que nunca tinham tido oportunidade de falar na televisão, passaram pelo palco do Villaret naqueles sete meses que durou o programa cujo nome foi inventado por Solnado durante uma viagem ao Porto – um nome que era bom "precisamente porque não queria dizer nada".

E se na primeira gravação foi preciso convidar pessoas para assistir, nos seguintes os bilhetes esgotavam-se com enorme antecedência.

E as ruas de Lisboa ficavam vazias às segundas-feiras à noite.
O sucesso televisivo volta a repetir-se (embora com um impacto diferente, porque por essa altura Portugal já tinha mudado) em 1977 com o programa A Visita da Cornélia, em que a interlocutora de Solnado era a vaca Cornélia. Solnado continua a fazer teatro - "Há Petróleo no Beato" (1981) é um imenso sucesso – ao mesmo tempo que mantém presença na televisão.

Novamente com os amigos Fialho Gouveia e Carlos Cruz apresenta o programa O Resto São Cantigas, em que se recordam músicos da época áurea da música ligeira portuguesa, e mais tarde apresenta o
concurso Faz de Conta.

É protagonista da "sitcom" "Lá Em Casa Tudo Bem", mas é no filme "A Balada da Praia dos Cães" (1987), de José Fonseca e Costa, que revela o seu extraordinário talento como actor dramático. Em 1991 publica a sua biografia, "A Vida Não Se Perdeu", escrita por Leonor Xavier (que foi sua mulher durante 15 anos). Em 93 participa, ao lado de Eunice Muñoz na telenovela "A Banqueira do Povo" e continua a fazer teatro - nomeadamente a peça "O Magnífico Reitor" (2001), de Freitas do Amaral. Numa homenagem, em 2002, no Festival Internacional de Humor de Lisboa, no Tivoli, Carlos Cruz agradeceu ao amigo.

"Não temos o direito de lhe exigir nada porque ele nos deu tudo", disse. "Cinquenta anos, Raul, não é nada.

É o teu princípio". Seis anos depois, a nova geração do humor em Portugal ainda teve a ajuda dele para a ajudar a contar a história.

Notícia actualizada às 18h40* título da biografia do actor e humorista escrita por Leonor Xavier e publicada em 1991

In jornal Público Net


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